França, pronto
para
salvar o São Paulo
Atacante marcou
três na goleada de 4 a 2 sobre o Sport Recife, ontem à tarde,
no Morumbi. Vice-artilheiro do Brasileiro com 15 gols, ele se diz
pronto para marcar sempre que necessário
França marca gols e quase não comemora. O artilheiro
são-paulino considera sua obrigação fazê-los e
concluiu que não há motivos para sair por aí pulando,
abraçando treinador, dando golpes de capoeira. Ontem à tarde,
no Morumbi, França marcou três na vitória sobre o Sport, 4 a
1. E assumiu de uma vez por todas:
Estou pronto para ser o responsável por todas as vitórias do São Paulo.
Com os três de ontem, o artilheiro já soma 15 gols no Campeonato Brasileiro apenas um a menos que Alex Alves, do Cruzeiro, que ontem voltou a marcar contra o Grêmio e depois foi expulso.
Quero alcançá-lo. Pretendo ser o artilheiro, independentemente das vitórias ou derrotas do São Paulo. Estarei sempre procurando pelo gol durante os 90 minutos.
França está vivendo uma fase brilhante no São Paulo. Enquanto a equipe sofre com a instabilidade e o treinador Paulo César Carpegiani faz experiências com quase todos os jogadores, França permanece intocável e reconhecido pelos gritos e aplausos dos torcedores como maior ídolo do momento.
Sou o homem que deve marcar gols. Não tenho a mesma obrigação dos meus colegas de ficar marcando e correndo por todos os lados do campo. Por isso, tenho de compensar o esforço deles cumprindo meu único papel. Este é o meu trabalho.
Muita luta por espaço
Mas França transpirou muito nos últimos três anos para ser respeitado como um jogador capaz de liderar um grande clube como o São Paulo. Em 96, quando trocou a dura vida do Nacional do Maranhão pelo conforto do Centro de Treinamentos da Barra Funda, encontrou-se com um treinador chamado Telê Santana e descobriu que não seria nada fácil encontrar espaço entre os mais cotados.
Hoje, o torcedor quando pensa em gol, vai pensar em quem? No França. Eu procurei por esta fama e agora não posso fugir das minhas obrigações. Quero ser o responsável pelos gols do São Paulo. Quero que os torcedores sempre venham ao Morumbi e tenham a esperança de que o França pode levar o time à vitória.
Mas não foi assim tão simples conseguir tanta confiança. No início, as oportunidades eram raras e França não conseguiu apresentar a mesma determinação e inteligência que demonstra hoje em dia. Telê Santana resolveu esquecê-lo. No ano seguinte, Carlos Alberto Parreira e Muricy Ramalho fizeram o mesmo e por pouco a diretoria não negociou seu passe.
Somente no ano passado, quando Dodô deixou de marcar gols, França assumiu o comando do ataque com o apoio do treinador Nelsinho Batista. Ganhou o título paulista de 98 e sagrou-se artilheiro da temporada.
Minha vida mudou de 98 para cá. Estou tentando me aperfeiçoar a cada dia. Após aquele título paulista, os marcadores passaram a me respeitar mais, não me deixam em paz. Está mais difícil encontrar espaços em campo, mas estou aprendendo a conviver com isso também.
França acredita que a goleada sobre o Sport foi fundamental para o grupo recuperar a confiança. Tínhamos de fechar a semana com uma vitória convincente. Atingimos a meta. Mas o São Paulo só poderá ser considerado um time estável quando conquistar uma das oito vagas da segunda fase do Brasileiro. Caso contrário, todo o trabalho será perdido.
Alegria de Paulo Sérgio
Mas França não foi o único aplaudido pelos torcedores após o jogo. O goleiro Paulo Sérgio, vaiado na última exibição no Morumbi (empate por 2 a 2 contra o Internacional), foi aclamado como novo herói após ter defendido o pênalti cobrado por Leonardo, aos 16 minutos do segundo tempo.
A torcida do São Paulo está de parabéns. Todos procuraram incentivar nossa equipe durante os 90 minutos. Nunca vi nada igual. Estou agradecido pela demonstração de carinho, retribuiu o goleiro.
Paulo Sérgio ficou magoado, há uma semana, quando ouviu os são-paulinos gritando pelo nome de Roger das arquibancadas do Morumbi. Um dia depois, o goleiro disse que a torcida havia sido injusta. E exigiu apoio para o próximo confronto. Para piorar, na quinta-feira, o São Paulo foi goleado pelo Atlético-PR, 4 a 1 e Paulo Sérgio não teve mais sossego nem mesmo durante os treinos.
Ontem à tarde, Paulo Sérgio voltou a ser recebido com vaias quando entrou em campo. Inseguro e assustado, falhou em algumas saídas de bola, levando os torcedores a gritar novamente só que desta vez pelo nome de Rogério Ceni.
Pênalti redentor
A situação do jovem goleiro mudou aos 16 minutos do segundo tempo, quando Paulão fez pênalti sobre Leonardo. Eu assisti a cobrança do Leonardo na partida contra o Coritiba. Ele bateu do lado esquerdo do goleiro. Pulei para o mesmo lado e fui feliz. Foi o momento mais difícil da partida. Antes da cobrança, enquanto todos discutiam com o árbitro, fiquei afastado, no meio do gol, pedindo a Deus que me ajudasse.
Paulo Sérgio não deverá jogar no próximo dia 30, contra o Paraná, em Curitiba. Até lá, Rogério Ceni estará recuperado de contusão muscular.
Paulo César Carpegiani não compareceu à coletiva de imprensa, após o jogo. Segundo a Assessoria de Imprensa do clube, o técnico deixou o Morumbi correndo porque tinha um vôo para Porto Alegre marcado para às 19h20.
O São Paulo está agora em 3º lugar, ao lado de Cruzeiro e Guarani, com 29 pontos. Porém, já participou de 18 partidas uma ou duas a mais que boa parte de seus concorrentes diretos. Para se classificar entre os oito primeiros, o São Paulo precisa fazer cinco dos nove pontos que tem para disputar. Ou seja: será necessário vencer duas vezes ou vencer um jogo e empatar os outros dois. Os últimos três jogos são: Paraná (fora), Ponte Preta (em casa) e Vitória (fora).
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