A História de Porto Belo | ||
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Muito antes do homem branco pisar em terras americanas, uma tribo de indígenas já tinha povoado a região onde se encontra Porto Belo. Antropólogos acreditam que escolheram o local pela segurança oferecida pelos rochedos e falésias, uma muralha natural. De acordo com as lendas milenares desses povos, no entanto, seus ancestrais remotos instalaram-se lá para proteger as águas sagradas da Deusa dos Mares, Uhitop, a quem dedicavam a maior parte dos rituais e ofereciam peregrinações anuais. Era ela que havia os ensinado a sobreviverem do mar. De tempos em tempos a Deusa aparecia para toda a tribo. Essas aparições diminuiram com o passar dos séculos, mas alguns membros iluminados da tribo, a quem davam o nome de ..., estavam em contato com ela e tomavam conta dos sacrifícios e oferendas sagradas, para manterem-se protegidos. Eles sabiam sobre os segredos das águas, que hoje em dia atraem atenção do mundo inteiro. Quando os portugueses iniciaram a colonização, o vilarejo e seus habitantes foram protegidos muitos anos pela localização remota. A cidade se encontrava no norte do estado de Paraíba. Nenhum homem branco sabia da existência dela. Quando viajantes chegaram lá pela primeira vez, a côroa portuguesa já tinha estabelecido que as terras do litoral nao seriam posse dos colonos, que seriam monopólio dela. Portanto não houveram guerras para tomarem e ocuparem aquela região. Marcou-se, então, o estabelecimento da troca com os homens brancos. Peixes, conchas, remédios, óleo de baleia eram trocados por espelhos, tecidos, escovas e outras coisas de pequeno valor. Batizaram a cidade de Porto Belo, em homenagem às águas tranqüilas. Comerciantes lusos e índios conviviam em paz. Talvez esse fato se deva ao pacifismo dos índios, ou talvez à proteção da deusa das águas, que os tinha guiado à região, pela primeira vez, para protegê-los de índios guerreiros. O próximo marco na história da região foi a ocupação holandesa do nordeste. Nessa época muitos navios com comerciantes, administradores, funcionários e imigrantes flamengos se direcionaram ao Brasil. Um desses inúmeros návios, com imigrantes pobres, em busca de terras, se perdeu no caminho e acabou chegando em Porto Belo. Por não se tratar de pessoas importantes, não foram socorridas e também se estabeleceram na cidade. Com a instalação dos holandeses a cidade desenvolveu vários ofícios e tornou-se praticamente autônoma. A princípio os índios não se misturavam muito com os estrangeiros. Na medida em que a dependência entre os vizinhos crescia, com a intensificação do comércio, passaram a se conhecerem melhor. Os membros iluminados estudavam todos que tinham se estabelecido em Porto Belo. Pessoas em que viam grande potencial místico eram convidadas para tomarem parte nas cerimônias religiosas. Desenvolveram uma religião cheia de particularidades regionais, com reflexos dos calvinismo holandês, catolicismo português e politeísmo indígena. Com a expulsão dos holandeses do Brasil, alguns deixaram Porto Belo, os que tinham se enriquecido, a grande maioria permaneceu lá. Famosa por sua autonomia em relação à elite agrária do nordeste, Porto Belo recebeu também um grande número de escravos fugitivos. Tudo começou quando um quilombo se estabeleceu nas matas que cercavam as praias. Eram liderados por um jovem negro extremamente perspicaz, conhecido como Juma. Juma sempre representou com extrema diplomacia. Os habitantes da cidade não interferiram com a liberdade marginal dos escravos corajosos e por isso novos grupos se direcionavam para a região. A princípio eram vistos com muito criticismo e preconceito pelos velhos habitantes da cidade. Aos poucos os escravos provaram seu grande valor, tanto como excelente trabalhadores como habilidosos artesãos. Ganharam o respeito que mereciam. A eles Porto Belo deve as danças ritualísticas que passaram a fazer parte das festividades, a grande riqueza da culinária e também contribuição em todas as artes. A cidade passou alguns séculos sem grandes alterações, vendia peixes, tinha pequenos estabelecimentos comerciais e uma sociedade que crescia equilibrada, sem grandes problemas. No final do século XIX, no entanto, houve uma nova onda migratória para Porto Belo. Pescadores descobriram muitas ostras com pérolas nas águas agitadas do norte da entrada. A notícia não foi divulgada, mas um grupo de ciganos do leste europeu ficou sabendo por intermédio de um joalheiro que estava comprando as pérolas deles. Talvez umas vinte famílias, lideradas por Michael Stravovich, tenham vindo. Trouxeram consigo o amor por música e estórias que alteraram profundamente o cenário artístico de Porto Belo. A cidade deixou de ser uma pequena cidade trabalhadora e moralista. Virou charmosa, com pessoas interessantes e vida boêmia animada. Os ciganos convivem em paz tanto com todos exceto com os descendentes de holandeses. Disputas entre esses dois upos dividem a cidade. Ao longo do século XX, a população cresceu num ritmo equilibrado. Muitas famílias de lavradores das regiões devastadas pela seca fizeram de Porto Belo seu lar. Contribuíram com um rico conjunto de lendas do sertão. Trouxeram para o litoral o artesanato, a cerâmica ganhou expressão lá pela primeira vez. São os principais responsáveis pelas artes plásticas. A geração mais velha ainda não se adaptou bem à vida de cidade e buscam atividades relacionadas com a vida rural. A grande maioria se dedica primordialmente ao turismo, montando pousadas, excursões no mato, nas praias, nas ilhas e no mar. Apesar de no passado ter havido grande divisão entre os diferentes grupos que fazerm parte da população, atualmente a tendência é de se misturarem cada vez mais. Os velhos preconceitos e conflitos são esquecidos pelas novas gerações e Porto Belo se torna uma cidade típicamente brasileira: uma mistura de etnias. | ||