Lá estava ela, Lady Liza, com seu rosto com o refinamento da lua, parecia brilhar em esplendor como ela. O Cabelo lustroso dourado caía como uma manta de luz. Era pesado e brilhava intensamente. O rosto era simétrico com todos os mais delicados traços de sua descendência holandesa. As maçãs do rosto salientes tornavam-no anguloso e aristocrático. Quando Liza falava, seu rosto era imóvel, quase sem vida, não fosse pelos olhos trágicos. Eram grandes olhos violetas escuros, olhos tristes que estavam sempre mudando. Neles poderia se ver a ínfima parte do sofrimento que é reservado para os sidhes. O peso da consciência da própria efemeridade não é fácil. As asas transparentes eram delicadas e ligeiramente prismáticas dispersando a luz branca em cores suaves. Eram asas ornamentais.
Lady Liza tinha sido uma criança amável, doce embora extremamente orgulhosa. Dizem alguns que sua infância foi traumática. Filha única de pais pouco compreensivos foi submetida a todos os tipos de tratamentos psiquiátricos para curá-la de suas perturbações. Por algum tempo sofreu um processo de intenso isolamento e perdeu parte de sua natureza fae irrecuperavelmente. Até os dias atuais, Liza tem pesadelos com a banalidade dos lugares para onde seus pais a levavam, onde ela caiu no esquecimento de quem verdadeiramente era. Sua mentora, antiga Lady da pequena household encontrou-a perdida nos rochedos de Porto Belo. Reconheceu a sua essência que vinha dos sonhos e acolheu a menininha, protegendo-a dos familiares cegos pela banalidade. Os anos passaram e Liza voltou a ver com naturalidade o mundo dos sonhos e o glamour que a cercava. No entanto, era facilmente amedrontada e muito sensível. Sempre sentia-se ameaçada, jamais pode voltar a conviver com humanos pois eles desencadeavam nela reações terríveis de pânico.
Com a sua passagem para a wildhood, a sidhe deixou para trás a menina que fora e transformou-se numa regente consciente do poder em suas mãos. Passou a ser a essência da independência auto-suficiente. Com isso, Liza afastou-se das pessoas e, por isso, seu poder e influência sobre as fadas de Porto Belo diminuiu consideravelmente. O Household dos Lírios da Lua entrou em decadência, perdeu o controle do freehold onde consolidava o poder de muitos séculos. Aos poucos, as fadas comoners que estavam sob a influência de Lady Liza também foram se afastando dela e hoje restam poucos que ainda são fiéis ao mais antigo household de kithains em Porto Belo.
Toda essa crise entristece profundamente Lady Liza, ela se culpa pelo que aconteceu. Oúnico consolo que encontra hoje em dia é no amor por Hans, sempre sensível ao que ela sofre. Não precisam mais de palavras por se compreenderem tão bem. A wilder também se dedica ao aprendizado da pequena Ariadne. Algum dia, espera que a sua sucessora possa corrigir tudo em que ela própria falhou.
