BEM QUERER (Chico Buarque, 1975)

 

Quando o meu bem-querer me vir

Estou certa que há de vir atrás

Há de me seguir por todos

Todos, todos, todos o umbrais

 

E quando o seu bem-querer mentir

Que não vai haver adeus jamais

Há de responder com juras

Juras, juras, juras imorais

 

E quando o meu bem-querer sentir

Que o amor é coisa tão fugaz

Há de me abraçar com a garra

A garra, a garra, a garra dos mortais

 

E quando o seu bem-querer pedir

Pra você ficar um pouco mais

Há que me afagar com a calma

A calma, a calma, a calma dos casais

 

E quando o meu bem-querer ouvir

O meu coração bater demais

Há de me rasgar com a fúria

A fúria, a fúria, a fúria dos animais

 

E quando o seu bem-querer dormir

Tome conta que ele sonhe em paz

Como alguém que lhe apagasse a luz

Vedasse a porta e abrisse o gás

 

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