ELA E SUA JANELA (Chico Buarque, 1966)

 

Ela e sua menina

Ela e seu tricô

Ela e sua janela, espiando

Com tanta moça aí

Na rua o seu amor

Só pode estar dançando

Da sua janela

Imagina ela

Por onde ele anda

E ela vai talvez

Sair uma vez

Na varanda

 

Ela e um fogareiro

Ela e seu calor

Ela e sua janela, esperando

Com tão pouco dinheiro

Será que o seu amor

Ainda está jogando

Da sua janela

Uma vaga estrela

E um pedaço de lua

E ela vai talvez

Sair outra vez

Na rua

 

Ela e seu castigo

Ela e seu penar

Ela e sua janela, querendo

Com tanto velho amigo

O seu amor num bar

Só pode estar bebendo

Mas outro moreno

Jogo um novo aceno

E uma jura fingida

E ela vai talvez

Viver duma vez

A vida

 

Voltar