HINO DA REPRESSÃO (SEGUNDO TURNO) (Chico Buarque,1985)

 

Se atiras mendigos

No imundo xadrez

Com teus inimigos

E amigos, talvez

A lei tem motivos

Pra te confinar

Nas grades do teu próprio lar

 

Se no teu distrito

Tem farta sessão

De afogamento, chicote

Garrote e punção

A lei tem caprichos

O que hoje é banal

Um dia vai dar no jornal

 

Se manchas as praças

Com teus esquadrões

Sangrando ativistas

Cambistas, turistas, peões

A lei abre os olhos

A lei tem pudor

E espeta o seu próprio inspetor

 

E se definitivamente a sociedade só te tem desprezo e horror

E mesmo nas galeras és nocivo, és um estorvo, és um tumor

Que Deus te proteja

És preso comum

Na cela faltava esse um

 

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