VALSA DOS CLOWNS (Edu Lobo - Chico Buarque, 1982)

 

Em toda canção

O palhaço é um charlatão

Esparrama tanta gargalhada

Da boca para fora

Dizem que seu coração pintado

Toda tarde de domingo chora

 

Abra o coração

Do palhaço da canção

Eis que salta outro farrapo humano

E morre na coxia

Dentro do seu coração de pano

Um palhaço alegre se anuncia

 

A nova atração

Tem um jovem coração

Que apertado por estreito laço

Amanhece partido

Dentro dele sai mais um palhaço

Que é um palhaço com um olhar caído

 

E esse charlatão

Vai cantar sua canção

Que comove toda a arquibancada

Com tanta agonia

Dentro dele um coração folgado

Cantarola uma outra melodia

 

Em toda canção

O palhaço é um charlatão

E esse charlatão

Vai cantar uma canção

 

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