VIVER DO AMOR (Chico Buarque, 1977-1978)

 

 

Pra se viver do amor

Há que esquecer o amor

Há que se amar

Sem amar

Sem prazer

E com despertador

- como um funcionário

 

Há que penar no amor

Pra se ganhar no amor

Há que apanhar

E sangrar

E suar

Como um trabalhador

 

Ai, o amor

Jamais foi um sonho

O amor, eu bem sei

Já provei

E é um veneno medonho

 

É por isso que se há de entender

Que o amor não é um ócio

E compreender

Que o amor não é um vício

O amor é sacrifício

O amor é sacerdócio

Amar

É iluminar a dor

 

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