Um Panorama de Porto Belo para o Mundo como N�s Conhecemos | |
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De uns vinte anos para c�, a cidade desenvolveu um impressionante movimento art�stico. De repente come�aram a vir artistas de todas as regi�es de pa�s para trabalhar em cima dela. Pintores, m�sicos, escritores, atores e diversos grupos come�aram a surgir. Aproveitando essa tend�ncia, o prefeito investiu e fez marketing de turismo. Isso ajudou o crescimento da popula��o que, em aproximadamente cinquenta anos, triplicou. As ruas hoje est�o coloridas, as cal�adas s�o mosaicos, a m�sica dos p�ssaros � acompanhada pela m�sica dos cantores de rua e dos repentistas, os muros, as paradas de �nibus, as escolas, todos s�o trabalhados em tinta, tudo muito belo. Pintores est�o espalhados com suas aquarelas nas pra�as e ruas largas. Os teatros lotam, os cinemas est�o sempre com filas grandes. As crian�as todas desenvolvem seus dons art�sticos e acompanham adultos, seja na pintura, m�sica ou artes c�nicas. Por causa de tudo isso a cidade atingiu fama nacional de n�cleo de artistas, atraindo a visita de outros artistas, contribuindo mais ainda para essa fama. Essa tradi��o n�o � antiga na cidade, s�o poucos os artistas nativos. Esse �ltimo fato torna mais inexplic�vel ainda o que se passa l� nesses �ltimos tempos. Mas as pessoas n�o param para pensar sobre isso na maioria das vezes. Nas ruas as crian�as brincam, os hippies vendem pequenas coisas, as pessoas andam sem medo. Apesar da popula��o ser relativamente grande o n�vel de viol�ncia � surpreendentemente baixo. A criminalidade � baixa embora seja evidente a divis�o em castas. Mas mesmo os pescadores mais pobres aproveitam desse surto cultural e por isso est�o satisfeitos e felizes. H� grande quantidade de peixes nos mares de l�. A pesca � a principal pilastra da economia de Porto Belo, ela n�o se limita tanto a peixes e frutos do mar, mas h� tamb�m explora��o intensa de p�rolas. O desemprego tem alto n�vel pois a cidade nunca teve grande incentivo para a ind�stria. Por isso, os mercados est�o repletos de camel�s e vendores ambulantes. A parcela da popula��o mais problem�tica s�o os mendigos e crian�as de rua, que de certa forma comprometem a cidade com os visitantes de fora. Eles n�o chegam a ser violentos, mas ocorrem muitos pequenos furtos nas ruas. Como numa cidade aparentemente t�o rica pode existir tais disparidades? A �nica coisa que tem atemorizado mesmo a popula��o nos �ltimos tempos s�o os assassinatos em s�rie. Apesar dos esfor�os e dedica��o da pol�cia ainda n�o conseguiram localizar o criminoso. Acredita-se que seja s� um assassino pois h� um certo padr�o em todas as mortes. As v�tmas s�o sempre mortas com armas de ferro. Essas armas s�o deixadas nos locais de crime. Acompanha o crescimento da popula��o art�stica, tamb�m o crescimento de dementes. Ainda hoje n�o se sabe se um est� relacionado com o outro. As pessoas n�o querem cair na velha fal�cia da loucura dos artistas, mas parece ser a explica��o mais �bvia. Alguns moram nos hosp�cios distanciados da cidade, e outros, mais inofensivos, perambulam pelas ruas. Com uma aura de misticismo, muitas pessoas buscam na cidade provas de vida extra-terrena. De fato, h� muitos relatos de objetos estranhos pelos c�us. As descri��es desses OVNIS, s�o diversas. As pessoas vivem tendo experi�ncias estranhas que n�o conseguem explicar pela raz�o. De tempos em tempos, nas praias mais remotas, encontram se c�rculos conc�ntricos gigatescos que atribuem �s naves de tais seres. Al�m disso, ciganos e videntes andam pelas ruas. S�o esses os descendentes dos que chegaram l� no final do s�culo passado. Eles l�em as m�os dos turistas nas pra�as, jogam as cartas do Tar� para lerem o futuro. A contribui��o cultural desses ciganos � o circo que nasceu entre eles. � um circo que sempre tr�s novos espet�culos e por isso n�o precisa ficar mudando de cidade, apesar de fazer visitas �s cidades mais pr�ximas tamb�m. Ele passa cerca de seis meses de cada ano em Porto Belo, com apresenta��es semanais, muito caras, sempre s�o muitos os artistas convidados. H� sess�es especiais, como a de inven��es curiosas, al�m de espet�culos tradicionais. Nos �ltimos anos cresceu tamb�m o incentivo para os esportes, principalmente com a constru��o do Est�dio Le�nidas da Silva pela prefeitura. Al�m dos esportes h�, � claro, eventuais culturais e casas famosas. H� v�rios grupos de Marionetes que fazem apresenta��es durante todo o ano. O mais renomado � o grupo Armatrux que faz apresenta��es todos os domingos no parque. As apresenta��es s�o bem variadas, desde Chap�uzinho vermelho at� Shakespeare, agradando todos os p�blicos. Os que j� presenciaram essas apresenta��es dizem que se esquecem que s�o apenas bonecos os atores, eles parecem vivos! H� festivais e competi��es de marionetes todos os anos. Assim como a dan�a, que tamb�m � muito apreciada na cidade, essa � uma heran�a dos holandeses. Na cidade, vem ganhando destaque o concurso de esculturas de areias. Surgiu de uma festa tradicional dos pescadores em homenagem �s sereias (que � uma lenda famosa da cidade). As sereias s�o uma constante na cidade, muitas pessoas v�o para Porto belo para �ver as sereias�. As praias s�o muito belas, afastadas da cidade, absolutamente preservadas. Esse concurso vem crescendo com a divulga��o feita pela prefeitura. Assim como h� com o teatro, h� tamb�m uma grande aprecia��o de cinema. Cineastras jovens sempre aparecem na cidade, principalmente durante a semana de cinema, que acontece todos os anos em dezembro. � um evento que atrais diretores, atores, atrizes... Sempre h� um enfoque em um tema bem espec�fico, como cinema europeu, produ��es independentes, filmes cl�ssicos. Todos os cinemas da cidade se integram durante essa semana, mas o principal da cidade, o cinema Marx Brothers, � uma atra��o a parte, com espet�culos musicais, teatrais, livrarias, um caf�. Nele h� espa�o para aproximadamente cinco mil pessoas. Em suma, quando n�o h� apresenta��es as pessoas gostam de ir ao parque, al�m das praias, com diversas plantas tropicais, bonitas e raras. O orto � de grande valor regional, preservando a flora que a cidade consumiu. � outra heran�a dos holandeses. Agora a cidade est� vivendo uma esp�cie de depress�o. A prefeitura est� sem verbas para grandes investimentos em pol�ticas sociais. Isso se deve em parte com os gastos luxuosos nas artes do �ltimo prefeito, como tamb�m ao descaso do governo federal com as artes, assim pouca renda � enviada para a cidade. | |
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